MASTOPEXIAS

Definição: levantamento das mamas com ou sem próteses, deixando uma cicatriz final “em T invertido” (na grande maioria das vezes).
Esta é, sem dúvida, uma das cirurgias mais controversas dentro da cirurgia plástica. Como fazer? Prótese atrás do músculo ou na frente? Que tipo de textura de prótese utilizar? Qual o caso indicado para se colocar prótese ou não? Até quantos gramas de glândula posso tirar e colocar a prótese? Colocando a prótese, a mama fica mais em pé e não “cai nunca mais”?
Quando uma paciente chega em minha clinica para este tipo de cirurgia, todas essas perguntas são discutidas caso a caso. Vou responder a todas essas perguntas, “LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO A MINHA EXPERIÊNCIA PESSOAL ADQUIRIDA AO LONGO DE 30 ANOS”. Por quê quero deixar bem claro isto? Porque cada profissional tem sua técnica própria e pode divergir de outro. Nem todos vieram da mesma escola e, com certeza, cada um faz o que acha melhor para sua paciente.
Quando fazer – Ao examinar a paciente, a primeira decisão a ser tomada é se a paciente realmente precisa fazer a mastopexia ou se seu caso se resolve apenas com a colocação da prótese de mama. Isto vai depender do grau de ptose (queda) da mama. Uma regra muito simples para se saber esta resposta é tirando uma foto de perfil da mama da paciente; se o mamilo estiver abaixo da linha do sulco infra mamário, com certeza há a necessidade da retirada de pele e reposicionamento do complexo aréolo-mamilar. Se o mamilo estiver acima do sulco, na grande maioria das vezes, se resolve apenas com a colocação da prótese de mama sem ressecar pele mamária, evitando-se assim, uma cicatriz cirúrgica maior. Nestes casos também, deve-se levar em consideração se a paciente deseja aumentar ou diminuir as mamas. Mesmo o mamilo estando acima do sulco, mas a paciente tem a intenção de diminuir o tamanho da mama, então a mastopexia se torna imprescindível.

Mastopexia com prótese atrás do músculo – Na minha experiência pessoal, numa mastopexia, eu só coloco a prótese atrás do músculo peitoral quando a paciente apresenta uma mama bem flácida e com pouca ou nenhuma quantidade de glândula mamaria. Quando eu coloco as próteses atrás do músculo nas mastopexias, eu SEMPRE uso próteses texturizadas, pois o músculo recobre a prótese por completo formando uma “cinta” que segura a prótese e não deixa que ela ceda. Nestes casos não se pode ter ou deixar grandes quantidades de glândula mamária, pois com o tempo, a glândula cede e cai sobre a prótese causando um efeito ao qual damos o nome de “dupla bolha” (a prótese fica lá em cima e a glândula fica para baixo).
Mastopexia com prótese na frente do músculo – Nos casos em que a paciente apresente pequena ou média quantidade de glândula mamária e ela quer aumentar o volume mamário, eu coloco a prótese na frente do músculo peitoral. Quando eu faço a mastopexia com a prótese na frente do músculo, eu SEMPRE uso a prótese com revestimento de poliuretano, nunca com a prótese texturizada. Por quê? A prótese texturizada fica “solta” na loja da prótese (espaço onde é colocado a prótese) levando a uma queda precoce da mama devido ao peso da prótese, ao passo que a prótese com revestimento de poliuretano se adere aos tecidos adjacentes em toda a sua superfície “ficando fixa e presa” na loja.
Uma decisão a ser levada em consideração é que: quanto maior o volume mamário, maior a tendência de queda (resultado cirúrgico menos duradouro) e quanto menor o volume mamário, a tendência de queda da mama é menor, aumentando o tempo de duração do resultado cirúrgico.
Numa mastopexia com prótese de mama, outra questão a ser abordada é a quantidade de glândula mamária a ser retirada. Isso é muito importante e vai influenciar diretamente no tempo de duração do resultado no pós operatório. Indiferente do tamanho da mama ao final da cirurgia: quanto maior for a prótese e menor a for a quantidade de glândula mamária deixada, maior será a durabilidade do resultado cirúrgico. E, por conseguinte, o contrário também é verdadeiro: quanto menor for a prótese e maior a quantidade de glândula mamária deixada, menor será a durabilidade do resultado cirúrgico.
Diante desta exposição, a paciente logo pensa: “por quê não tira toda a glândula mamária e deixa só prótese”, assim a mama vai “ficar em pé para o resto da vida”. Só que é impossível fazer isto, pois temos que levar em conta vários fatores, que se seguem:
– irrigação sanguínea do complexo aréolo-mamilar. É necessário deixar pelo menos 2 a 3 cm de tecido mamário, preservando a irrigação da aréola;
– distância da aréola em relação a clavícula (mede o grau de flacidez e queda da mama), tem que ver o quanto essa aréola terá que subir para chegar a localização correta na nova mama;
– deixar uma quantidade razoável de glândula mamária necessária para que faça a proteção da prótese a ser implantada.
E por fim, NÃO, não é verdade que quando se coloca uma prótese de mama na mastopexia, a mama não cai nunca mais. Nos casos em que a paciente apresente uma mama muito grande, eu faço a mamoplastia redutora, sem próteses. Nos casos de redução mamária, vale ainda mais o que eu disse antes: quanto menor ficar a mama, mais durabilidade terá o resultado cirúrgico.

A cirurgia
Realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral ou peridural assistida por um anestesista especializado e tem a duração em média de 3 a 4 horas. Na cirurgia de mastopexia, como já falamos anteriormente, a prótese pode ser colocada tanto na frente como atrás do músculo. Não muda em nada no ato operatório. Depende da indicação cirúrgica. Toda a montagem da mama (pontos internos) são realizadas com fios absorvíveis. A cicatriz final na cirurgia de mastopexia é “em T invertido” e o tamanho da cicatriz na base da mama (sulco infra mamário) depende da largura da base da mama. A sutura da pele no “T” invertido é realizada com pontos internos e absorvíveis e os pontos da aréola são externos e retirados num prazo de 7 a 10 dias. O período de internação hospitalar é, em media, de 12 horas. É colocado um curativo compressivo sobre as mamas que permanecerá por 4 a 5 dias. Retirando o curativo, a paciente passará a usar o sutiã cirúrgico no pós operatório por um período aproximado de 3 meses. Não são colocados drenos em nenhuma hipótese na cirurgia de mastopexia.
Cuidados pré e pós operatórios
Os cuidados pré e pós operatórios nas mastopexias são os mesmos da cirugia de prótese de mama. Relembrando que o mais importante no pós operatório é a paciente ficar com o braço imóvel para que ocorra a cicatrização dos tecidos em volta da prótese. Caso a paciente faça movimentos com o braço, a prótese pode se mover dificultando a cicatrização dos tecidos vizinhos, levando a complicações.
